o Blog...

... surgiu de uma necessidade imensa de falar... de escrever o desespero que vai no coração de uma mãe que tem esse longo trabalho a frente, de descobrir o que diferencia seu filho dos demais, de aceitar o que a alma não quer ver, contar dores e medos que escondo até de mim mesma... de escrever o que penso, de falar baixinho coisas que gritam aqui dentro no coração. Entre e fique á vontade, comente e ajude e a mim e a outras mamães que podem estar vivendo algo semelhante.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Do começo => escrito em maio de 2013



Do começo  - Terça-feira, 7 de maio de 2013

O Diagnóstico da primeira neurologista, Dra. Elizabeth: Transtorno do desenvolvimento global, apesar de todos os exames físicos apresentarem resultados normais. 
Antes dos 5 anos não há diagnóstico fechado.

A consulta foi um terror, eu tentando não demonstrar a tremedeira de nervoso e ansiedade e ao mesmo tempo: absorver tudo o que ela falava! Queria ter levado um gravador pra ouvir tudo depois no caso de não conseguir me concentrar na hora. 

O meu esposo não aceitou, é claro, porque ele já não aceitava mesmo! Ele não olhou pra médica, não fez perguntas ou questionamentos em mais de uma hora de consulta. 
Saiu do consultório emburrado e no elevador já disparou a dizer que ela era louca e que eu havia estragado a vida dele... e depois disso nem preciso dizer que o dia acabou pra nós.
 
Como falar desse diagnóstico sem falar da minha dor? 
Nunca me senti tão pequena em toda a minha vida apesar de ser fisicamente uma pessoa com altura acima da media. Me olhava diante do espelho e não via nada além de um pedaço ou o resto de qualquer coisa. 
Minha auto estima ficou péssima porque engordei mais de 22 kilos na gestação do Pedro.Tentava me cuidar, mas não conseguia me perdoar, gostar de mim – era como se tudo que vinha de mim não fosse bom o suficiente.
Olhava para as pessoas na rua e tentava me esconder. 
Parecia que todos tinham pena de mim. 
Me isolei da companhia de colegas e amigas porque invariavelmente elas contariam coisas do dia a dia de seus filhos e isso me faria lembrar mais uma vez que havia falho em algum lugar com ele. 
Me afundei no trabalho mas sem a autoconfiança necessária, não me sentia capaz, tudo que vinha de mim era ruim. 

No casamento me sentia só.   
As poucas vezes que tentava falar sobre o assunto não dava certo, ele achava que estava louca e que o comportamento do Samuel era absolutamente normal para a idade. Meu esposo não enxerga e não aceita apesar de toda a equipe estar falando a mesma coisa: médica, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional e psicóloga. 
 Vivi tudo isso sozinha, ele se fechou no seu mundo de negação e deixou tudo em minhas costas, ainda grávida. 

A fantasia que eu tinha de vida/mundo havia ACABADO. 
Tudo não passava de ilusão, o mundo é cruel, as pessoas são más e Deus parecia estar ocupado demais pra mim.

Sobre Deus. 
Há momentos que não sentia qualquer presença d´Ele em minha vida. 
Me sentia caminhando por um imenso deserto sem fim, só. 
Completamente só. 
As minhas orações e pedidos a Deus simplesmente não chegavam a Ele.
Há momentos que ponderava e pensava que coisas ruins aconteciam a pessoas boas também. 
Ponto! Mas confesso que na maioria das vezes acho que Deus me abandonou mesmo.

Em tempo... o meu filho: 
Meu amor incondicional, amor maior. 
Amor com dor, dor de notar ás vezes o vazio em seu olhar, como se por alguns momentos ele se desligasse do mundo. O seu sorriso? O mais lindo, verdadeiro e espontâneo que já vi. 

E falando em sorrisos, falo de algo que a vida nesse momento roubou de mim, Perdi a vontade de sorrir e se não fosse pelos meus filhos, já não valeria a pena viver. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário