Do começo - Terça-feira, 7 de maio de 2013
O Diagnóstico da primeira neurologista, Dra. Elizabeth: Transtorno
do desenvolvimento global, apesar de todos os exames físicos apresentarem
resultados normais.
Antes dos 5 anos não há diagnóstico fechado.
A consulta foi um terror, eu tentando não demonstrar a tremedeira
de nervoso e ansiedade e ao mesmo tempo: absorver tudo o que ela falava! Queria
ter levado um gravador pra ouvir tudo depois no caso de não conseguir me
concentrar na hora.
O meu esposo não aceitou, é claro, porque ele já não aceitava
mesmo! Ele não olhou pra médica, não fez perguntas ou questionamentos em mais
de uma hora de consulta.
Saiu do consultório emburrado e no elevador já
disparou a dizer que ela era louca e que eu havia estragado a vida dele... e
depois disso nem preciso dizer que o dia acabou pra nós.
Como falar desse diagnóstico sem falar da minha dor?
Nunca me
senti tão pequena em toda a minha vida apesar de ser fisicamente uma pessoa com
altura acima da media. Me olhava diante do espelho e não via nada além de um pedaço
ou o resto de qualquer coisa.
Minha auto estima ficou péssima porque engordei mais
de 22 kilos na gestação do Pedro.Tentava me cuidar, mas não conseguia me perdoar,
gostar de mim – era como se tudo que vinha de mim não fosse bom o suficiente.
Olhava para as pessoas na rua e tentava me esconder.
Parecia que
todos tinham pena de mim.
Me isolei da companhia de colegas e amigas porque
invariavelmente elas contariam coisas do dia a dia de seus filhos e isso me
faria lembrar mais uma vez que havia falho em algum lugar com ele.
Me afundei no trabalho mas sem a autoconfiança necessária, não me sentia
capaz, tudo que vinha de mim era ruim.
No casamento me sentia só.
As
poucas vezes que tentava falar sobre o assunto não dava certo, ele achava que
estava louca e que o comportamento do Samuel era absolutamente normal para a
idade. Meu esposo não enxerga e não aceita apesar de toda a equipe estar
falando a mesma coisa: médica, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional e
psicóloga.
Vivi tudo isso sozinha, ele se fechou no seu mundo de negação e
deixou tudo em minhas costas, ainda grávida.
A fantasia que eu tinha de
vida/mundo havia ACABADO.
Tudo não passava de ilusão, o mundo é cruel, as
pessoas são más e Deus parecia estar ocupado demais pra mim.
Sobre Deus.
Há momentos que não sentia qualquer presença d´Ele em
minha vida.
Me sentia caminhando por um imenso deserto sem fim, só.
Completamente
só.
As minhas orações e pedidos a Deus simplesmente não chegavam a Ele.
Há momentos que ponderava e pensava que coisas ruins aconteciam a
pessoas boas também.
Ponto! Mas confesso que na maioria das vezes acho que Deus
me abandonou mesmo.
Em tempo... o meu filho:
Meu amor incondicional, amor maior.
Amor
com dor, dor de notar ás vezes o vazio em seu olhar, como se por alguns momentos
ele se desligasse do mundo. O seu sorriso? O mais lindo, verdadeiro e
espontâneo que já vi.
E falando em sorrisos, falo de algo que a vida nesse
momento roubou de mim, Perdi a vontade de sorrir e se não fosse pelos
meus filhos, já não valeria a pena viver.
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